domingo, 12 de fevereiro de 2017

SESSÃO SÁBADÃO - #42ª EDIÇÃO (ESPECIAL OSCAR 2017)

Mais um domingo que chega, mais um filme para analisar na "Sessão Sábadão". E se você está chegando agora no "Eu e o Cinema", saiba que estamos vivendo intensamente o pré Oscar, sendo assim, só está saindo críticas dos longas que foram nomeados ao prêmio de "Melhor Filme" na cerimônia deste ano. "Estrelas Além do Tempo" é o escolhido da vez... Sendo assim, vamos nessa...


Estrelas Além do Tempo - 2016

Elenco: Tajari P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monáe, Kevin Costner, Jim Parsons, Kirsten Dunst, Glen Powell e Mahershala Ali

Nota (0/10): 6,5
Dirigido por Theodore Melfi, "Estrelas Além do Tempo", além de ser um outro bom exemplo de péssimo título adaptado no Brasil, também conta a história de três mulheres negras que trabalham na NASA e se tornam extremamente cruciais em um dos projetos tecnológicos mais importantes da história dos Estados Unidos. Mas para isso, tiveram que enfrentar todos os agravantes raciais dos intolerantes anos 60.

PRÓS: Pode parecer uma tremenda bobagem o que vou dizer a seguir, mas ao olhar um dos posteres de "Estrelas Além do Tempo" onde traz as três protagonistas caminhando de forma imponente sobre o símbolo da NASA, com um foguete espacial alçando voo ao fundo, eu já sabia mais ou menos o que me esperava: Um filme demasiadamente simpático sobre uma história real que provavelmente não foi tão simpática assim, o que os mais técnicos costumam chamar de "feel good movie". E baseando-se nisso, o filme vai muito bem. O carisma das três personagens principais, cada uma com uma personalidade diferente (mesmo que um pouco caricatas), a amizade entre elas e a maneira que a história é conduzida, faz deste longa uma experiência agradável. Mesmo que manipulativo, o enredo consegue transmitir a empatia necessária para que o espectador torça incondicionalmente pela trajetória de Katherine (Henson), Dorothy (Spencer) e Mary (Monáe).
No quesito atuação, gostaria de destacar dois nomes: Kevin Costner e Octavia Spencer. O ator está muito bem, impõe presença e vigor físico, consegue achar naturalidade dentro do seu personagem e se alguém merecesse uma indicação ao Oscar nesse elenco (que não é o caso) seria ele na categoria de "Melhor Ator Coadjuvante". Por sua vez, Octavia também faz um bom trabalho. Entre as protagonistas é a que consegue passar mais camadas e mais peso na sua atuação mesmo não tendo um forte monólogo assim como teve a personagem de Tajari P. Henson. Entretanto, não fez jus a indicação que recebeu como "Melhor Atriz Coadjuvante".
Nos termos técnicos, a fotografia e a trilha sonora do filme são muito boas e conseguem passar a essência "feel good" pretendida pelo longa.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

SESSÃO SÁBADÃO - #41ª EDIÇÃO (ESPECIAL OSCAR 2017)

Agora sim, sem atrasos e completamente restabelecido, o blog "Eu e o Cinema" volta a sua programação normal. E pra quem ainda não sabe, nesse mês de Fevereiro estamos respirando o Oscar, sendo assim, temos mais um filme concorrente ao principal prêmio da cerimônia para analisar, e o escolhido da vez é o musical "La La Land". Vamos lá?...


La La Land - 2016

Elenco: Emma Stone, Ryan Gosling, John Legend e Rosemarie Dewwit 

Nota (0/10): 9,5
Dirigido por Damien Chazelle, o mesmo do excelente "Whiplash", "La La Land" é um musical que conta a história de amor entre Mia, uma garçonete aspirante a atriz e Sebastian, um jovem pianista de jazz e a jornada de ambos para realizarem seus sonhos.

PRÓS: A sequencia musical que inicia "La La Land" já te indica um de seus pontos fortes logo de cara: a sua direção impecável. E enquanto a película progride, esse indício se torna certeza. Os empolgantes jogos de câmera, a edição afiada, o visual vibrantemente colorido, entre outras coisas, mostram que Damien Chazelle tinha o filme nas mãos. 
Como se trata de um musical, nada mais justo do que falar mais especificamente sobre esse quesito primordial da obra. As canções em sua maioria são boas e muito bem trabalhadas (destaco a empolgante "Another Day of Sun" e a melodiosa "City of Stars"). A mesma competência se estende as coreografias apresentadas nas sequencias musicais. Meticulosas, porém acessíveis em sua maioria, todos os atores envolvidos nestas cenas se saem extremamente bem.
Falando de atuação, não tem jeito, Emma Stone e Ryan Gosling formam a cabeça, o corpo e a alma de "La La Land". Tirando a química entre os dois que não é nenhuma novidade (pois já trabalharam anteriormente como par romântico em "Amor a Toda Prova" de 2011, e "Caça aos Gângsteres" de 2013), separados eles também dão um show a parte a começar por Emma Stone. Jovial, graciosa e espontânea, a atriz dá a dose perfeita de força e fraqueza que a sua personagem pede. Uma performance digna das premiações que vem recebendo até aqui. O mesmo acontece com Gosling, pois o ator consegue injetar personalidade ao seu personagem com uma atuação pretensiosamente despretensiosa (?) que mistura cinismo, um leve sarcasmo e muito entusiasmo, mas nada que justifique a indicação recebida de "Melhor Ator" no Oscar desse ano. O cantor John Legend também está no elenco com um papel importante e mesmo não dando uma grande atuação, ele não compromete a qualidade da obra.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

SESSÃO SÁBADÃO - #40ª EDIÇÃO (ESPECIAL OSCAR 2017)

Ainda em processo de reestabelecimento do blog, vamos postar a quadragésima edição da "Sessão Sábadão" nessa terça feira. Como estamos na fase pré-Oscar, vamos falar de mais um concorrente a estatueta de "Melhor Filme" na edição deste ano: o drama "Moonlight". Sem mais delongas, vamos direto ao que interessa...


Moonlight - 2016

Elenco: Trevante Rhodes, Ashton Sanders, Alex R. Hibbert, André Holland, Jharrel Jerome, Mahershala Ali, Naomi Harris e Janelle Monáe


Nota (0/10): 8
Longa dirigido por Barry Jenkins, "Moonlight" nos leva a conhecer a vida de Chiron em três fases: infância, adolescência e adulta. Todas elas envoltas por difíceis situações que vão desde sua mãe viciada em drogas até escolhas pessoais de vida não aceita pela grande parte da sociedade.

PRÓS: Para começarmos a falar de "Moonligth", vale dizer que este é um daqueles filmes audaciosos com um peso de mensagem muito significativo pra passar ao espectador, e isso por si só já é um grande trunfo do longa. A ousadia do roteiro te prende, te cativa e é um ótimo exercíco de empatia caso esteja com a mente e o coração abertos para receber tais mensagens.
Os aspectos técnicos da produção é um outro grande trabalho. Uma fotografia belíssima que torna-se um aditivo para se contar a história, juntamente com um bom trabalho de edição, efeitos sonoros e trilha, a obra se torna um exemplo perfeito de uma direção que sabe exatamente o que quer.
Voltando ao roteiro, podemos exaltar os diálogos. Fortes, plausíveis e com um conteúdo absurdo, consigo me lembrar de pelo menos duas ou três cenas que acabaram me tocando de alguma maneira. E isso é muito bom, pois se torna mais um recurso para imergir o público no filme.
No quesito atuação todos estão excelentes e entre eles destaco dois exemplos: Naomi Harris e os atores que interpretam Chiron. Enquanto a interpretação da atriz, mesmo que breve, é embasbacante e estarrecedora fazendo jus a indicação de "Melhor Atriz Coadjuvante" que recebeu, os responsáveis por darem vida as três fases do personagem principal (Alex R. Hibbert na infância, Ashton Sanders na adolescência e Trevante Rhodes na fase adulta) estão em completa harmonia em suas interpretações. Não existe um processo de imitação ou de semelhanças gestuais, mas todos eles conseguem captar a essência do personagem na maneira que trabalham a personalidade do mesmo. Ta na maneira tímida de falar, na tristeza do olhar, no pesar das decisões. Um trabalho muito bem feito!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

OS PIORES FILMES QUE VENCERAM O OSCAR

Na semana passada, o "Eu e o Cinema" postou um ranking que trouxe os 10 melhores filmes vencedores do Oscar, segundo a opinião do blog. Porém, entretanto, nem todo filme que vence a categoria mais importante da cerimônia, é necessariamente bom! Sendo assim, resolvi listar alguns que se encaixam perfeitamente nesse quesito e tentar entender o que a Academia viu de tão especial nessas películas.
Lembrando que falaremos da qualidade dos filmes vencedores e não especificamente de injustiças. Podemos usar de exemplo a premiação de "Melhor Filme" na edição de 1980. O merecedor da estatueta naquela ocasião, foi sem dúvida o apoteótico "Apocalypse Now" dirigido por Francis Ford Coppola, porém quem levou foi o drama "Kramer versus Kramer" que também é muito bom. Sendo assim, este caso e outros parecidos, não entraram na listinha a seguir:



Crash - No Limite (Melhor Filme 2006)


Vamos começar pelo mais recente caso de filmes que não são tão bons assim, mas levaram a estatueta de melhor do ano. O drama "Crash - No Limite" não é o dos piores, ele tem os seus méritos, como por exemplo a crítica que faz contra o racismo e a ótima interpretação de alguns atores que conseguem dar uma boa dinâmica ao roteiro. Mas pensar que essa película desbancou clássicos do cinema atual como "Capote", "Boa Noite e Boa Sorte" e "O Segredo de Brokeback Mountain", é uma coisa que não encaixa na cabeça de ninguém, apenas naquelas que votaram na categoria de "Melhor Filme" no Oscar de 2006.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

SESSÃO SÁBADÃO - #39ª EDIÇÃO (ESPECIAL OSCAR 2017)

Chegamos á trigésima nona edição da Sessão Sábadão e hoje tem mais um concorrente a "Melhor Filme" do Oscar 2017. O escolhido da vez é o drama/ficção científica "A Chegada".
Sem mais enrolação, vamos a análise do dia...

A Chegada - 2016

Elenco: Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker, Michael Stuhlbarg e Tzi Ma


NOTA (0/10): 9,5
Dirigido pelo cineasta Denis Villeneuve (o mesmo de excelentes filmes como "Suspeitos" e "O Homem Duplicado"), "A Chegada" é protagonizado por Amy Adams e conta a história de Louise Banks, uma famosa linguista que é convocada pelo governo a se tornar responsável pela comunicação entre humanos e seres extraterrestres que chegaram a Terra a pouco tempo.

PRÓS: Produções de invasão alienígena tem aos montes em Hollywood e já os vi sendo executado de várias maneiras. Mas devido ao seu roteiro minusciosamente trabalhado, "A Chegada" consegue ser totalmente original dentro desse segmento. Gosto de como o filme trabalha algumas questões, que em mãos erradas teriam se tornado um tanto quanto cafona e inverossímil. Um bom exemplo disso são os próprios extraterrestres. Achei muito interessante a maneira que são retratados e de como se comunicam. O longa consegue te passar toda a imponência e a inteligência destes seres, que te faz acreditar que se eles existem, talvez sejam parecidos com isso. Outro exemplo que demonstra muito senso de realidade é como o longa mostra a reação do mundo referente a esse acontecimento. Como as pessoas reagiriam, como a mídia reagiria, como a internet reagiria, tudo isso é mostrado de forma muito competente. Ainda falando sobre o roteiro, vale ressaltar que além de engenhoso, tem um último ato muito impactante, contendo descobertas complexas, mas muito bem amarradas, elevando o filme á um patamar acima.
No quesito atuação, uma pergunta paira sobre o ar: Porque raios Amy Adams não foi indicada na categoria de "Melhor Atriz" no Oscar desse ano? Se você não tiver ideia sobre a resposta dessa questão, contente-se com a indignação de ver uma das melhores interpretações femininas de 2016 sendo completamente esnobada pela Academia. Sucinta, mostrando muito com menos, tudo baseado em ricas expressões e gestuais limitados, a atriz dá vida á uma personagem forte, porém ciente da dor de alguns dilemas que ela precisa encarar inevitavelmente. Também gostei muito da atuação de Michael Stuhlbarg, que de uma certa forma se torna o "vilão" em algumas questões cruciais da trama. O trabalho é tão bem feito aqui, que cheguei a ter dificuldades de reconhecer o ator nos primeiros momentos. Jeremy Renner e Forest Whitaker estão competentes como sempre e acabam somando no contexto geral da obra.

domingo, 29 de janeiro de 2017

SESSÃO SÁBADÃO - #38ª EDIÇÃO (ESPECIAL OSCAR 2017)

Chegou a hora de destrinchar mais um filme concorrente do Oscar 2017. O escolhido da vez é o drama familiar "Cercas", que atualmente mudou o seu título no Brasil para "Um Limite Entre Nós"... Eu sei, bem triste né?!... Mas vamos ao que interessa.


Um Limite Entre Nós - 2016

Elenco: Denzel Washington, Viola Davis, Jovan Adepo, Stephen McKinley Henderson, Mykelti Williamson, Russell Hornsby e Saniyya Sidney

Nota (0/10): 8,5
Dirigido e protagonizado por Denzel Washington, "Um Limite Entre Nós" é baseado em uma aclamada peça teatral chamada "Fences" (nome original do filme), que foi escrita por August Wilson e foi interpretada pelo mesmo elenco do longa metragem. O enredo nos conta a história de Troy, um carregador de lixo que teve seu sonho de se tornar um grande jogador de baseball frustrado e hoje vive com Rose, sua dedicada esposa, com quem compartilha as experiências boas e ruins de se formar uma família.

PRÓS: Denzel Washington e Viola Davis!!! Não tem forma melhor para começar citando os pontos fortes desse filme que não seja enaltecendo a dupla protagonista. Com uma atuação esplendorosa, ambos conseguem elevar o nível do longa sempre quando estão em cena, seja contracenando juntos ou sozinhos. Mas depois voltamos a falar mais detalhadamente sobre esse quesito. Por agora, comentarei sobre a ótima direção de Denzel, que mesmo sendo apenas o seu terceiro trabalho, consegue dar personalidade ao longa e mostrar total controle do que está fazendo. Não se trata de algo novo ou revolucionário, mas sim de extrema competência.
Gostei bastante do elenco enxuto do filme (são apenas 8 atores em cena), pois ninguém acaba sobrando e comprometendo a história. Todos tem seu porque, sua importância no enredo e seu peso no andamento da trama.
Tudo que acontece em "Fences" (título original) é embasado por diálogos, sendo assim, a película toda acaba sofrendo essa influencia e justamente por ser bastante dialogado, esse é um dos setores mais bem trabalhados da película. Todas as conversas, frases ditas e a dinâmica de como são conduzidas, beiram a perfeição.
E enfim, vamos voltar a falar das atuações. Todos, sem exceção, estão incríveis em cena. Mas o destaque vai pra Denzel Washington e Viola Davis. O primeiro dá uma interpretação que mistura frustração, instabilidade emocional e autoritarismo, compensados com carisma e um certo charme. Viola por sua vez, é o retrato fidedigno de uma dona de casa que mesmo fiel a postura que escolheu adotar para sua vida e viver uma felicidade em partes superficial, também sente o peso da frustração de não ter seus sonhos realizados. Ambos conseguem demonstrar todas essas emoções de várias maneiras, seja em semblantes e pequenos gestos até a momentos mais bruscos e explícitos.

sábado, 28 de janeiro de 2017

RANKING: OS 10 MELHORES FILMES VENCEDORES DO OSCAR

Sabadão chuvoso em grande parte do país, tempo propício para curtir mais um post do blog "Eu e o Cinema". Hoje vamos ranquear filmes, e como estamos vivendo uma frase pré Oscar, vamos ranquear os melhores longas que já levaram a estatueta de "Melhor Filme", a premiação mais importante da cerimônia. E como todo bom ranking que se preze, vai em seguida os critérios para a formação deste em especial:
- Apenas filmes assistidos por esse blogger que vos fala.
- Ranking embasada unicamente e exclusivamente na minha humilde opinião.
- Lembrando que o ano do Oscar no qual o filme foi vencedor procede o ano que ele foi lançado nos cinemas.
Sem mais delongas, vamos aos filmes:

10º) Onde os Fracos Não Tem Vez (Melhor Filme 2008)


Dirigido pelos irmãos Coen, esse thriler que conta sobre uma intensa caçada entre um homem que pegou uma maleta de dinheiro ilegal e um assassino frio e perigoso, é sem dúvida uma das obras primas do século 21. Com um enredo inquietante e um elenco afiadíssimo (destaque para Javier Bardem, que levou o Oscar de "Melhor Ator Coadjuvante" como o esquisitíssimo vilão Anton Chigurh) o longa é perfeitamente conduzido e se tornou uma referência para o faroeste atual, revigorando o gênero.
Além do prêmio de "Melhor Filme", "Onde os Fracos Não Tem Vez" também deu aos irmãos Coen a primeira estatueta na categoria de "Melhor Direção".